13 abr

A luta contra a propriedade é organizada. E os proprietários?

As ações de organizações indigenistas vão muito além de treinar índios autodeclarados ou fazer lobby político. O alcance mais importante talvez se dê junto à sociedade civil em geral, não exatamente engajada no ativismo.

Quando a embaixadora da Noruega, Aud Marit Wiig, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo (1/2/2015), diz que o apoio internacional à causa indígena brasileira se concentra em “apoiar processos de interação entre demandas indígenas e políticas públicas”, revela a dimensão do ardil, pois aponta uma estratégia de inoculação de demandas indigenistas em políticas diversas.

Isso significa que, toda e qualquer política social deve reservar um capítulo a parte para sua destinação específica aos autodeclarados índios. Como diz a própria embaixadora, até em “promover equidades nas questões relativas a gênero” a distinção de autodeclarados índios deverá ser praticada. Ou seja, mulheres têm direitos diferenciados, mas mulheres “índias” são mais diferenciadas ainda. E assim por diante.

Dessa maneira, a sociedade, que já foi ensinada a reivindicar cada vez mais, exigir cada vez mais benefícios, engrossará os esforços indigenistas à medida que conquiste seus “direitos e benefícios”. Isso ocorre, pois maiores ainda serão os direitos e benefícios daqueles que se declararem “etnicamente diferenciados”. As demandas indigenistas, independente se feita por índios ou, via de regra, pelos que se arvoram em seus tutores e defensores, avançam junto com a vontade do povo de receber mais auxílios, de ter mais “direitos”.

A questão chave aqui é a tal “interação entre demandas indígenas e políticas públicas”. Esse é um processo que ocorre com cada vez mais frequência, pois os militantes indigenistas conseguiram organizar um modo de alinhar suas intenções ao apetite popular, que está voltado às tetas do Estado. Deste modo, o que se destaca é o termo organizar.

Ora, não queremos acreditar que o povo seja assim, tão mesquinho e corrompido, mas sabemos como as ideias de redistribuição de renda foram disseminadas, sobretudo através da educação e da mídia, na última década. Podemos, então, verificar que a organização dos ideais indigenistas se ocupou de:

a)   alinhar ideias próprias do movimento às expectativas da população em geral;

b)   investir tempo e dinheiro em pessoas que estudem formas de adequar políticas públicas específicas;

c)   propagandear a existência de um lado fraco e oprimido (embora receba muito dinheiro, sobretudo do exterior, e tenha um enorme espaço nos meios intelectuais); contra o outro lado, poderoso e violento (que possui apenas um espantalho chamado “bancada ruralista”);

d)   “monitorar, planejar e capacitar” (palavras da embaixadora Aud Marit Wiig), dedicando muitos recursos para as lutas que preparam. Isso é organização. Não se estabelece tal empreendimento sem esforço.

E do outro lado, qual é o esforço? Respondemos: muito pequeno e sem abrangência. Longe, mas muito longe do nível de organização indigenista.

Considerando tudo isso, o mínimo que deve ser feito é responder na mesma forma como atacam. Toda organização torna imperativa uma contra-organização. O filósofo e cientista político Richard Weaver resumiu muito bem o que acontece numa situação como a que vivemos: “Uma força organizada é sempre uma ameaça aos que não estão organizados, que se veem obrigados a responder constituindo-se eles mesmos em força organizada”. Ou seja, urge que se constitua uma força organizada em oposição à tão disseminada ideologia indigenista.

A organização, porém, vai muito além de encaminhar pautas às federações, confederações e associações de classe. Como apontamos mais acima, é necessário um trabalho inteligente, abrangente, para que também as vítimas do indigenismo possam “monitorar, planejar e capacitar”. Criar uma organização assim foge das competências naturais dos produtores rurais. Por isso, é extremamente importante cercar-se de profissionais que saibam monitorar, planejar e capacitar, que conheçam o meio intelectual e os processos políticos. Sabemos, todavia, que estes profissionais são raros, e isso porque quase a totalidade das pessoas versadas em conhecimentos sobre a sociedade estão engajadas nas lutas contra a propriedade. Contudo, os poucos que existem, capazes e dispostos a desvendar de forma qualificada as tramas dos grupos inimigos da propriedade, devem ser acionados.

Isso custa. Mas, atingimos um ponto no qual a organização tornou-se obrigatória. E para que ajam ações eficientes, estas devem ser monitoradas, planejadas e capacitadas por quem entende o processo. Isso é o mínimo, e deve começar imediatamente. A outra opção é seguirmos deslumbrados com a nossa produtividade, deixando que o direito de propriedade seja redefinido por outros mais organizados para este fim.