09 abr

Não basta produzir, é fundamental saber se defender.

O empresário, que atua no agronegócio, indústria, comércio ou serviços, tem como imperativo o espírito da praticidade para exercer o papel que lhe cabe na sociedade. Mais do que prático, ele tem de ser um “especialista”, pois é isso que o conduz à desejada “excelência”.

Ser especialista em uma atividade rende frutos econômicos e realização profissional. O aumento do bem-estar e do consumo da sociedade também depende destes frutos e deste sucesso.

O onipresente apelo à produtividade somente é atendido quando a eficiência alcança um alto grau. No entanto, há um custo pouco considerado por este produtor/empresário: a dedicação exclusiva àquilo que é muito específico para sua atividade, apesar de render frutos, o impede de observar e se defender de ideias e ações que ameaçam seu modo de vida e propriedade. Quem se dedica a melhorar a produtividade – independentemente da área em que atua – está envolto em um número tão grande de minúcias tecnológicas, de mercado, de gestão, que se esquece de como é fundamental saber defender sua existência e seu papel na sociedade.

Quando movimentos sociais, grupos ativistas, Ong’s diversas, acossam esse homem prático, imputando a ele a acusação de “opressor”, chamando-o de intruso nas terras em que sempre viveu, o homem prático já não sabe como agir. Quando as acusações que sofre passam a ser repetidas por intelectuais, políticos, religiosos e promotores, o homem prático percebe que a sua “especialidade”, apesar de ser essencial para a produtividade, já é insuficiente para legitimar e defender sua vida, liberdade e propriedade. Os discursos mais raivosos e absurdos sufocam aquele homem prático, e a realidade passa a ser muito pouco para assegurar seu modo de vida, sua propriedade.

O caso do agronegócio – atividade que garantiu números positivos à economia nos últimos anos – é emblemático. A produtividade cresceu, tornamo-nos gigantes. O resultado foi uma série de grupos organizados tentando, cada qual com um discurso mais virulento que o outro, tirar um naco da riqueza gerada, sobretudo da propriedade, base da produção. E eles têm conseguido avançar significativamente.

Ser prático, empreender, produzir. É necessário compreender que nada disso é o suficiente. Essa é uma ideia muito difícil de assimilar, especialmente para quem produz. Todavia, a compreensão das forças que dominam processos sociais também não é fácil, principalmente se nossa atenção está voltada somente para especialidades práticas.

Não adianta “achar” injusto. É tempo de compreender e reagir. Enquanto uns produzem, outros estão tramando maneiras de invadir, desapropriar, encurralar os que produzem. E isso está acontecendo dentro das universidades, escolas, igrejas, comissões governamentais, em seminários temáticos, nacionais e internacionais.

Recursos de tempo e dinheiro têm sido usados por organizações que agem contra a propriedade. Contudo, as pessoas práticas que fazem esse país produzir não destinam nenhum recurso para a defesa de suas atividades e de seus modos de vida. Apenas um lado se prepara e luta, enquanto o outro fica achando tudo “um absurdo”. Ainda que seja absurdo, é necessário compreender e saber enfrentar as ações tão contrárias à razão do homem prático.

Não há a mínima chance de fazer frente aos aproveitadores se não entendermos uma lição básica: as ideias têm consequências. Logo, discursos e acusações, ainda que falsos, geram ações, principalmente daqueles que nada produzem, pois estes têm tempo de sobra.

Entender isso é fundamental para assumirmos que produtividade e eficiência não garantem a legitimidade das nossas atividades. Precisamos agir na defesa dos nossos modos de vida, da nossa produção, da nossa propriedade.

Como fazer isso?

Recursos de tempo e dinheiro serão essenciais. Isso, sabemos, gera certo incômodo. Pouquíssimos estão dispostos a dedicar qualquer uma destas duas coisas para defender seus modos de vida e suas propriedades. Mas, acredite, o discurso dos inimigos de quem produz está disseminado na educação, na política, no direito. Sem organização e investimento são minúsculas as chances de se combater as ideias perniciosas e ações resultantes delas.

O homem prático, exatamente por ser assim, acha caro e absurdo lutar contra discursos. Por isso, continua olhando fixamente para sua atividade e, assim, seu olhar já não consegue abarcar os processos que ocorrem ao seu redor e o ameaçam. Ele precisa de ajuda para entender e, então, para reagir.

O primeiro obstáculo é este: convencer-se de que para manter seu modo de vida e propriedade é necessário investir recursos de tempo e dinheiro nessa finalidade.

Se o homem prático – que trabalha e produz – não entender ou não quiser investir na defesa de sua própria atividade, os movimentos sociais, já donos da verdade, mais ainda se julgarão com razão: “ele apenas quer ganhar dinheiro e sua única ligação com sua atividade e propriedade é o lucro!”.

É preciso provar o contrário.